Meu Malvado Favoretto

Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate

Feliz dia do “Escolhi esse curso porque não me dou bem com matemática”

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Se você acha essa justificativa do título uma coisa feia de se dizer, pare por aqui, porque o meu motivo para escolher o jornalismo foi ainda pior

***

É sabido que em um ano há mais datas para o “Dia do Jornalista” do que feriados. Eu mesmo já fui parabenizado pela profissão umas três vezes somente em 2015. Mas parece ser um consenso que o dia 7 de abril é o “verdadeiro”. Nada mais justo, então, que aproveitar o ensejo (eu adoro usar esse gancho, “aproveitar o ensejo”; no jornalismo, ganchos são basicamente justificativas para explicar o porquê você está escrevendo determinada matéria, e não há justificativa mais prática do que sair por aí aproveitando ensejos) para relatar como foi minha trajetória nessa gloriosa profissão.

Um exemplo de como os ensejos são aproveitados

Um exemplo de como os ensejos são aproveitados

Eu gostaria de ter uma história bonitinha para contar, dizer que esse era meu sonho de menino, que ainda púbere batia umas mal redigidas linhas na máquina velha de escrever do meu pai… Mas não. Minha escolha pela profissão não tem nada desse maravilhoso mundo da Xuxa, e tem mais a ver com a minha fisionomia: feia e malvada.

Para quem não sabe, tudo começou há 7 anos, quando eu havia acabado de tomar um cambal de um dos meus melhores amigos na abertura de uma firma de ferramentas. Com pouco dinheiro e desempregado, restou-me voltar a carregar caixas (já tinha 1 ano de “experiência” nessa árdua tarefa), a única coisa que se oferecia para mim naquele momento a guisa de um emprego melhor.

Num trabalho de merda, ganhando 500 conto, cansado, com dores na lombar, sentindo que estava desperdiçando talento e, naturalmente, puto da vida, levantar da cama dia após dia era um sacrifício, a despeito de a firma ficar, literalmente, ao lado de casa.

Para ajudar, eu estava desesperançoso com essa coisa de “fazer faculdade”. Tinha exemplos muito próximos de pessoas que haviam se dedicado à formação superior e haviam tomado no c* de verde e amarelo. Por isso que até mesmo a pressão da família para eu entrar na faculdade tinha efeito quase nulo.

No entanto, após o enésimo atraso no “serviço”, eu já não tinha mais desculpas para dar ao RH. Na iminência de ser demitido, decidi ir até a faculdade mais próxima e me inscrever em um vestibular: era apenas uma desculpa nobre para justificar mais um atraso.

Como eu não acreditava que bastava apenas dizer que fiz a inscrição, achei por bem realmente fazê-la, caso precisasse de um comprovante para legitimar o álibi. E assim me inscrevi no curso de jornalismo de uma faculdade que apenas os residentes em Osasco conhecem o nome. A única coisa “bonitinha” a ser dita sobre esse episódio diz respeito à escolha do curso: eu nunca cogitei me inscrever em outro que não o jornalismo (mesmo porque não me identificava com nenhum outro curso)

E assim, às 9 horas de uma manhã de segunda-feira, liguei de um orelhão para a chefia:

– “Olha, estou um pouco atrasado porque vim me inscrever no vestibular, tá bom? Mas já já tô aí”

E assim foi.

Em fevereiro de 2008 estava eu lá, como “bixo” pedindo dinheiro no farol, ameaçando bater em quem ousasse pintar minha cara com guache. Vieram as aulas, os leads, os ganchos, os manuais de redação, os Adornos, os Durckheims, os Marx (puta que pariu, como vieram os Marx), e também seus camaradas, Foucalts, Sevcenkos, e os professores, os Ricardos, os Arnonis, os Marcellos, os Celsos, os Marcos, as Paulas, as Mônicas, e logicamente, vieram também os amigos, um tanto de Guilhermes, Ivaires (?!), Renatas, Fernandas, Marinas… e muitas cervejas… mas poucos churrascos, infelizmente.

Logo no primeiro ano descobri que tinha um pouco de talento para a coisa. Um pequeno semanário impresso achou o mesmo e, em agosto de 2008, me contratou como estagiário. Lá eu não aprendi muito, mas a possibilidade de ter contato com o dia a dia de pautas, matérias, reuniões, diagramação, coberturas de eventos e tudo o mais foi muito importante para mim, porque foi aí que eu comecei a gostar de fato da profissão.

Escrevi mais de 300 matérias. Aproveitei ensejos mil. Tinha tanto gosto em fazer a coisa que era comum escrever 3 ou 4 matérias na semana e colher entrevistas para pautas futuras. Perdi a conta de quantas vezes apresentei pautas de matérias que estavam praticamente finalizadas.

Tamanha eficiência não foi bem vista pela chefia, que achou que essa prática era coisa de gente que estava entregando menos do que poderia (apesar de ser uma meta superior ao que deveria). Fui taxado de “desmotivado”, possivelmente de vagabundo também. Acordar cedo nunca foi meu forte mesmo, já deixei isso claro. Mas isso nunca comprometeu meu trabalho, é bom lembrar.

E assim, depois de mais de 2 anos trabalhando com comprometimento, mesmo quando a reportagem envolvia cobrir uma trilha de jipes em Ribeirão Pires às 6h da manhã de um domingo, acabei no olho da rua.

E aí vieram uns três anos de martírio.

Adeus, jornalismo!

Olá, agências de eventos, planilhas de telemarketing, fichas rosas, frilas para jornalzinho do Ceasa, assessorias de imprensa, relatórios, releases, cloud computing (que eu descobri que se pronuncia clóudicomPÍUtin), compressores de ar, torres de iluminação com bandeja de contenção de óleo a coqueluche do momento nas obras de construção.

Nesse cenário e em meio ao deserto das oportunidades para voltar ao jornalismo, eu daria um rim em troca da possibilidade de escrever notinhas de rodapé que fosse.

E veio setembro de 2013.

Foi quando recebi o seguinte e-mail: “Recebi seu currículo pelo Daniel, e estamos com uma possibilidade de frila noturno”, dizia RM, que se identificava como gerente de UOL Conteúdo.

Não sabia que cara tinha RM. Só sabia que eu o amava (por isso omito o nome de RM: vai que ele fica constrangido com tamanha declaração de amor)

Após a primeira etapa do processo seletivo, eu estava apreensivo. Lembro que a ansiedade era tanta que, após fazer a entrevista naquele dia, só fui dormir às 4h da manhã.

E lembro também de ter dito para a minha mãe no dia seguinte: “Não vai rolar. O lugar lá é só pra quem tem pica grossa”

Com o passar dos dias, sem resposta, e já achando que não seria contratado, enviei um e-mail, no dia 13 de setembro, para saber o que havia acontecido:

“Boa tarde, R

Creio que a outra etapa do processo seletivo já tenha sido finalizada e eu, infelizmente, fiquei de fora.

De qualquer forma, agradeço a oportunidade e aproveito para especular: cometi algum erro capital que naufragou a chance de eu ser o escolhido?

Abraço”.

Não tenho palavras para descrever como me sinto ridículo relendo esse e-mail agora. “Cometi algum erro capital que naufragou a chance de eu ser escolhido”. Meu Deus! Que papelão!

Esse e-mail que enviei não teve resposta. Ainda bem, porque depois vieram outros dois com conteúdo muito mais agradável: “Você está entre os finalistas da seleção” e, alguns dias depois, “Você é nossa primeira opção para a vaga”.

Guardo esses e-mails para não esquecer o que senti no momento em que os recebi. Não digo que chorei, porque não rolou isso mesmo. Mas a felicidade era tamanha que eu fiquei com um ar de riso idiota por pelo menos umas 5 horas.

Atualmente sigo muito satisfeito com minha profissão. Presto serviços para o maior (e melhor) portal de notícias do país, atuando como redator do 4º maior (e mais gostoso) portal de notícias brasileiro.

Trabalho no melhor ambiente de trabalho que poderia escolher. Tenho chefes e colegas que respeito e admiro.

Por tudo isso, e por olhar para trás e ver pelo que passei, acredito que meu maior desafio no momento é evoluir na profissão. Afinal, é um tanto difícil não ficar acomodado quando eu sei que é mais prazeroso escrever “Caetano estaciona no Leblom nessa quinta-feira” do que puxar um pallet de bebê-conforto da Burigotto. Alguém pode dizer que a segunda opção é muito mais digna. Mas vocês querem mesmo discutir dignidade com um cara que fala em “pica grossa” com a própria mãe?

Aceito a crítica daqueles que dizem que sou um jornalista “caça-clique”, que pratico um jornalismo mequetrefe.

Por isso peço que não me deem parabéns. Enquanto eu sigo nesse dilema moral, deem parabéns e prestigiem gente do calibre de Ana Estela de Sousa Pinto, André Barcinski, André Forastieri, Eliane Brum, Flávio Gomes, Marcelo Laguna, Marion Strecker, Raquel Cozer, Reginaldo Leme, Regis Tadeu, Sérgio Rodrigues, Victor Martins, e outros tantos que são sinônimo de talento e credibilidade em seus campos de atuação.

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Written by meumalvadofavoretto

08/04/2015 at 15:35

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Chega ao fim uma semana marcada por crimes diversos – e uma pensata sobre religião

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Se tem uma coisa que me deixa puto é alguém falar “morreu porque Deus quis”, ou a variante “não morreu porque não chegou a hora”. Como é possível continuar com esse tipo de pensamento diante de tanta covardia, imprudência e impunidade? Afinal, são essas as coisas que mais tiram vidas de pessoas que não morrem de causas naturais, e não Deus.

O covarde que agride brutalmente e não demonstra qualquer sentimento de comiseraçãoa bandidagem que fuzila um policial com mais de 40 tiroso policial que descarrega o revólver em um jovem desarmadoo fanático religioso que degola um homem inocenteo motorista bêbado que atropela e mata, a pessoa que tem coragem de abandonar um recém-nascido em uma caixa de papelão à própria sorte para virar comida de inseto. E isso só para ficar nos fatos ocorridos nesta semana.

Aí alguém vai dizer que há um sentido em tudo isso. E certamente há um trecho na bíblia, no alcorão, ou em qualquer livro religioso que se preze alguma passagem citando como esses são meios para um fim maior, faz parte de um plano superior. “Era pra ser assim”, enfim.

Em alguns casos, como em determinadas correntes do espiritismo, podem dizer que a vítima está passando por uma “provação”. O bebê abandonado na caixa está “pagando” por crimes de vidas passadas, por exemplo… Esse tipo de crendice me embrulha o estômago.

A religião e a fé são poderosas, porto seguro de bilhões de pessoas. Não fosse assim não sobreviveriam ao passar dos séculos. Mas é mesmo 100% certo que a vida fica mais fácil quando acreditamos que o Maníaco do Parque é um instrumento de Deus na Terra? Desconfio que não…

Written by meumalvadofavoretto

22/08/2014 at 15:30

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O que o Drauzio Varella não me falou

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Após dois anos sem colocar um cigarro na boca – no dia 8 de agosto de 2014 fez exatos dois anos que dei minha última tragada no querido e abrasador Marlboro -, tive hoje aquele que foi, talvez, meu centésimo sonho sobre voltar a fumar.

Ao longo desses pouco mais de 730 dias, a temática do cigarro se tornou quase que um pesadelo recorrente durante minhas noites de sono, sempre tão tranquilas. Nesses sonhos, eu volto a fumar do nada, sem perceber, e quando dou conta que estou de volta ao vício, sinto-me muito deprimido, derrotado. Como sempre, ao acordar vem aquela sensação de alívio, porque aquilo não era real.

Mas como ia dizendo, hoje tive mais um desses sonhos. Só que dessa vez foi diferente. Ao perceber que estava fumando, não fiquei chateado. Pelo contrário. Ao ver que já havia consumido um maço inteiro, só pensei em comprar mais um.

Será que se trata de uma indicação subconsciente para voltar ao vício?

Talvez.

Conscientemente, vivo me perguntando se valeu a pena parar de fumar. Não é preciso ser gênio para saber que largar um vício é algo bastante difícil. Frequentemente as pessoas associam essa atitude a poderes sobrenaturais, causas místicas, entre outras (“faça essa simpatia que é batata!”, “vício é encosto, tem que ir à igreja para tirar, viu?!”)

Eu não acredito em porra nenhuma, e para largar o cigarro precisei “apenas” de muita força de vontade (e uns vídeos com dicas do Drauzio Varella).

Mas vai saber se não foi algo lá no meu âmago que me deu essa força extra para parar. E se agora essa força estiver se esvaindo, indo embora, como pode estar indicando esse sonho de hoje?

Deixando essa parte viajandona de lado, gostaria de aproveitar a oportunidade para falar de como é ruim parar de fumar. É incrível como isso pode ser visto como algo “positivo”.

Excluindo os efeitos colaterais terríveis do primeiro mês, que compreenderam insônia, irritabilidade exacerbada, crises de ansiedade e até algo parecido com o que classificam como depressão – sério, na primeira semana eu fiquei bem pra baixo, e descobri o que é não ter ânimo para levantar da cama -, posso afirmar com absoluta certeza que parar de fumar me deixou com danos permanentes.

Desde o dia 8 de agosto de 2012, só tenho bebido e comido (ainda) mais. É um efeito padrão verificado naqueles que largam algum vício: primeiro porque descontam em outro vício (em média, passam, por exemplo, a beber 15% a mais), segundo porque a comida em si fica mais gostosa (como se o x-salada do Hamburguinho já não fosse suficientemente bom).

Se não bastasse, ainda tem a questão da agressividade. Hoje em dia xingo mais, brigo mais, mando mais pessoas irem para a puta que pariu – inclusive algumas que não mandava antes. Quebro mais coisas com facilidade (uma fábrica de puxadores de papel sobreviveria só trocando aqueles que eu já danifiquei)

Fisicamente, estou 15 kg mais gordo. Outra coisa que me incomoda é que agora meu peito dói quando eu corro!, coisa que nunca havia acontecido. E a dor é no pulmão mesmo, coisa de sair tossindo e escarrando pelo parque Villa-Lobos, pra desespero das senhorinhas que caminham lá à tarde.

E o olfato então? Pareço um cão perdigueiro. Sinto odores (sobretudo de perfumes) a quilômetros de distância. E de tudo isso que falei, acho que essa é a pior parte. Acho que voltaria a fumar só para inibir minhas narinas de capturarem uma vez mais a horrenda fragrância do Kayak Aventura™

Posso estar exagerando? Certamente. Prosseguirei sem fumar? Sem dúvida. Mas mais por teimosia de não querer “perder” pro cigarro (quem gosta de jogar compete até consigo mesmo…) do que pelos reais benefícios que isso pode ter me trazido.

Dito isso, meu conselho é: não comecem a fumar, crianças; mas se começarem, não parem nunca mais!

Written by meumalvadofavoretto

15/08/2014 at 16:13

A amnésia política é uma benção

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Fuçando em arquivos antigos achei esse e-mail do então deputado Sílvio Torres (PSDB), sujeito que havia se tornado uma espécie de paladino da justiça quando do anúncio de que o Brasil seria sede da Copa do Mundo 2014.

O deputado cobrava transparência das autoridades, prometia denunciar abusos com os gastos públicos, etc. E parecia ser um sujeito rigoroso, que cumpriria o prometido.

Ele ganhou voz em importantes veículos sérios da imprensa, incluindo a esportiva: lembro até que ele participou de programas esportivos na ESPN (Bate-Bola, se não me engano).

Na época cogitei votar nele – se é que eu não votei (mas acho isso difícil, porque mesmo que eu esteja quase convencido de que o fulano merece meu voto, na hora H eu pipoco e voto em branco).

Hoje fui pesquisar a quantas andava a gloriosa batalha do ilustre deputado contra os abusos destes que estão a sugar o dinheiro público para erguer novas “arenas”. Qual não foi minha surpresa ao ver que nas atualizações recentes de sua página no “Feice” não há menções a gastos, abusos, transparência, etc.

Para piorar, o site que se encontra ao fim desse e-mail não existe mais.

Em sua conta no Twitter também não há resquício daquela postura linha-dura, de cobrança.

Desci a barra de rolagem até os tuítes/atualizações de dezembro do ano passado. Dei um Ctrl + F para procurar algumas palavras. O resultado: ao menos desde dezembro de 2012 o deputado não fala em “transparência”, “gastos” e “dinheiro público”.

Para quem fiscalizaria de perto as maracutaias, seis meses sem ao menos dar uma cutucada é tempo pra chuchu (ainda mais com o advento da Copa das Confederações, os abusos cometido nos entornos dos estádios, etc., etc., etc.)

Se não bastasse, nas quatro ocasiões em que a palavra “Copa” foi citada o nobre político usou o termo nas seguintes orações:

1) 28 Nov (2012)
Expresso da Copa/CPTM levou/impressionou comitiva da Fifa q foi inspecionar Itaquerão,em 17 minut. da Estação da Luz ao estádio da abertura.

2) 12 Dec (2012)
Ranking SP/2012: Santos,campeão Paulista;Palmeiras,Copa do Brasil;São Paulo,Sul Americana. Corinthians:Campeão Libertadores,(quase)Mundial.

3) 2 Jun (2013)
Inglaterra meia-boca expõe seleção desentrosada e Felipão perdido,q saca Paulinho depois do gol.Chances mínimas na Copa das Confederações.

4) 22 Jun (2013)
Provisoriamente convencido da mudança da seleção,recuo (tá na moda!) do q escrevi na pré- Copa sobre Brasil não ter chances de ser campeão.

A conclusão que podemos tirar desse fato é que a chamada Amnésia Política, fenômeno que ocorre quando nos esquecemos em quem votamos, é uma coisa boa. Trata-se de um mecanismo de defesa, pois evita que os pobres eleitores estourem os próprios miolos de tanto desgosto e remorso.

———- Mensagem encaminhada ———-
De: Silvio Torres <imprensa@silviotorres.com.br>
Data: 28 de maio de 2010 18:04
Assunto: Isenções de impostos para a Copa de 2014 vão ultrapassar um bilhão de reais

Isenções de impostos para a Copa de 2014 vão ultrapassar um bilhão de reais

As isenções de impostos federais para a Copa do Mundo de 2014 vão custar cerca de R$ 900 milhões. Esse bolo de renúncia fiscal poderá ultrapassar em muito o total de R$ 1 bilhão, ao se somarem as isenções dos impostos que também vão ser concedidos pelos governos estaduais e prefeituras das 12 cidades que vão sediar os jogos.
As informações são dos técnicos da Receita, Augusto Carlos Rodrigues e Fernando Mombelli, durante a audiência pública promovida, nesta quinta-feira (25), pela Subcomissão de Fiscalização da Copa da Câmara, presidida pelo deputado Silvio Torres (PSDB-SP).
A reunião teve por objetivo debater os dois projetos de lei enviados ao Congresso Nacional pelo presidente da República, para reduzir a carga tributaria nas ações ligadas á Copa, uma das exigências impostas ao governo pela FIFA para o Brasil sediar o megaevento.
Um dos projetos prevê a concessão de isenção fiscal à FIFA e às entidades que prestarão serviços no Mundial. O outro autoriza as cidades-sede a abrir mão do ISS – Imposto Sobre Serviço – e permite que Estados decidam sobre a isenção do ICMS- Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.
As isenções
Esclarecendo indagação do deputado Silvio Torres, o especialista tributário Fernando Mombelli afirmou que a FIFA, no Caderno de Encargos que foi aceito pelo governo brasileiro, impôs condições especiais relativas a tarifas alfandegárias e impostos de importação, isenções fiscais gerais e procedimentos relativos à imigração, alfândega e check-in. O não cumprimento dessas medidas, uma cláusula prevê indenização à FIFA.
As isenções terão validade a partir de 1° de janeiro de 2011, ficando encerradas em 31 de dezembro de 2015.
Os técnicos da Receita Federal estimaram que dos R$ 900 milhões da renúncia fiscal ( Imposto de Renda, PIS e COFINS), R$ 340 milhões são relativos à isenção para as obras nos estádios e outros 560 milhões de reais deixarão de ser arrecadado nas demais atividades e operações ligadas à Copa. As isenções são para as importações de equipamentos, de bens de consumo, medicamentos, combustíveis e serviços de transmissão de sons e imagem.
São beneficiarias: FIFA Internacional, Subsidiaria FIFA no Brasil, Emissora Fonte, prestadores de serviços da FIFA, parceiros comercias, Comitê Organizador Local (LOC), federações, confederações e pessoas físicas não domiciliadas no Brasil.
Após a competição, os bens duráveis importados deverão ser exportados e doados a entidades de interesse público.
Receitas
Augusto Carlos Rodrigues, que chefia a Divisão de Estudo Jurídicos Tributários da Receita Federal, declarou não existir dentro da Receita uma estimativa de quanto o governo vai arrecadar em função da Copa do Mundo. Adiantou que o Ministério do Esporte trabalha com a expectativa de uma arrecadação da ordem de R$ 10 bilhões em impostos.
Segundo Rodrigues, houve grande dificuldade para adequar as exigências de isenção de tributos para a FIFA à realidade jurídica brasileira, que não permite a isenção diretamente a pessoa jurídica internacional. Técnicos da Receita Federal chegaram a ir à Alemanha para ver como este pais conduziu esta questão para promover a Copa de 2006.
Ele explicou que foi necessário pedir a criação de subsidiárias da FIFA no Brasil para que as isenções fossem asseguradas.
Preocupação Silvio Torres
O deputado Silvio Torres, que foi o autor do requerimento de realização da audiência pública, prevê dificuldades na tramitação dos dois projetos do governo,
Falando à imprensa, Torres também manifestou preocupação quanto ao atraso no cronograma de obras para o evento. Disse ele: “O Brasil assinou esse compromisso quando aceitou sediar a Copa e agora tem que cumprir. Os projetos de Lei estão chegando á Câmara. Dado ao fato de estarmos em ano eleitoral e com uma pauta bastante tumultuada, vejo que teremos dificuldades de aprovar isso até o fim do ano. Matérias de renúncia tributária são sempre muito debatidas. Queremos que o Brasil entre num ritmo de organização da Copa que dê mais tranqüilidade, porque já estamos atrasados com aeroportos, com estádios, com projetos de mobilidade urbano, com esse próprio projeto de Lei, com portos. E esse é um quadro extremamente preocupante, apesar do discurso oficial de que tudo vai bem.

De Brasília: Claudio Coletti (27-05-2010)
Valeria Scheide
Assessora de Comunicação
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Written by meumalvadofavoretto

02/07/2013 at 22:55

9 motivos para torcer pela Itália contra o Brasil – parte final

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Dando continuidade à lista de 9 motivos para torcer pela Squadra Azzura contra o Brasil no amistoso de hoje, seguem os três últimos motivos:

VII – A Itália tem, sei lá, o tamanho do estado de São Paulo. São 60 milhões de italianos, enquanto o Brasil é um porrilhão de vezes maior, com 190 milhões de habitantes. Convenhamos, a chance de nascer um futebolista brasileiro é bem maior do que um italiano. Levando isso em consideração, o fato de a Itália ter quase a mesma quantidade de Copas (5 a 4) deveria valer maior respeito. Não custaria nada “ceder” alguns torcedores daqui, ainda mais que aqui é o país do PT, o país de todos, o país da igualdade e da solidariedade. Mais amor e mais distribuição de torcida, por favor.

VIII – Acostumada a lidar com a forte bandidagem local ao longo de décadas, a Itália é exemplar na investigação de corrupção e associações mafiosas, incluindo a corrupção no futebol e os esquemas de manipulação de jogos. Seguindo uma postura linha dura, a Justiça desportiva italiana peca por rigor, não por omissão. Nêgo é pego com a boca na botija já é banido do futebol, ou vai preso, o time é rebaixado, perde título e num sei quantos pontos, paga um caminhão de dinheiro em multas, etc…

Juventus comemora título de 2006, tomado dias depois

Juventus comemora título de 2006, tomado dias depois pela Federação Italiana de Futebol

Em solo italiano foi no ano de 2006 que o maior escândalo do tipo – batizado de Calciopoli – foi descoberto. Após escutas telefônicas ficou comprovado que alguns dirigentes de clubes manipulavam escalas de arbitragem, atuando no sentido de escolher os árbitros que queriam apitando os jogos de seus times no campeonato nacional.
O detalhe é que escolher determinado árbitro não era garantia de que este roubaria para seu time (ou não), mas só de sentir o fedor a federação foi na jugular da rapaziada envolvida e o couro comeu geral. Vários times envolvidos foram punidos, sendo que a grande prejudicada foi a Juventus de Turim, rebaixada para a Série B. Outras equipes grandes permaneceram na primeira divisão, mas começaram o torneio com pontos negativos, como Fiorentina, Lazio e Milan, com 19, 11 e 8 pontos negativos, respectivamente.
Enquanto isso no Brasil… na mesma época, em 2005, o país viveu seu maior escândalo de corrupção no futebol, que foi batizado de “Máfia do Apito”. Após investigações ficou comprovado que o árbitro Edílson Pereira de Carvalho ganhava cerca de R$ 15 mil por jogo para eventualmente roubar descaradamente em prol de um time. A tramoia servia para que um grupo de investidores obtivessem lucros em sites de apostas: os caras apostavam que um time X ganharia a partida por 2 a 0, o juizão ia lá e dava dois pênaltis inexistentes para que esse time atingisse o resultado.
A maracutaia levou a Confederação Brasileira de Futebol a anular onze partidas apitadas por Edilson no Brasileirão daquele ano, o que levou a um rebuliço da porra no campeonato, que terminou com o Corinthians campeão, um ponto à frente do Internacional, que seria o campeão caso fossem mantidos os resultados.
O detalhe é que anular as partidas foi algo controverso, mesmo porque não tomaram essa atitude em nenhum outro país em que houve cagada semelhante. E aí o Coringón teve duas partidas anuladas: derrotas para São Paulo (3 a 2) e Santos (4 a 2) – sendo que nesse jogo contra o Santos, como indicam as escutas realizadas, as instruções ao juizão foram feitas no sentido de ajudar o Corinthians; ou seja, como podemos ver, além de corrupto Edilson era incompetente.

No Brasil, trolha sobrou toda pra bunda do laranja Edilson

No Brasil, peça de mortadela empanada com cerol sobrou toda pra bunda do laranja Edilson

Na remarcação das partidas, o Corinthians, que não tinha nada a ver com isso (ou não), empatou com o São Paulo e finalmente venceu o Santos. Daí todo o chororô do Vicenacional, o grande prejudicado dessa história toda. Mimimi do Inter à parte, é fato que o processo da “Máfia do Apito” foi pra gaveta deixando aquela sensação de “história mal contada”. Afinal, apenas o nome de Edílson e de um outro árbitro zé mané apareceram, enquanto os nomes dos tais investidores/estelionatários não foram divulgados – com exceção de um “empresário” com um puta nome de brimo, tipo Mohamed Gorayeb, que ninguém lembra, mesmo porque foi rapidamente inocentado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva e, consequentemente, esquecido (pela mídia, inclusive).

O fato de remarcarem as partidas, inclusive aquelas que terminaram com resultado CONTRÁRIO ao que queriam os tais investidores – como no caso de Corinthians e Santos -, deu brecha para interpretações de que, na realidade, haviam clubes envolvidos.
Enfim, entre a Itália que rebaixou sem pestanejar o maior e mais vitorioso time do país, que por sinal é também o time de maior torcida, e o Brasil que escolheu um laranja e deu a sensação de varrer o restante da sujeira pra debaixo do tapete… ponto para a italianada honesta! (Mafiosa, porém honrada).

IX – Itália: terra da pizza
Brasil: terra onde tudo acaba em pizza

BÔNUS
Itália: Roberto Benigni, “A Vida é Bela”
Brasil: Carla Perez, “Cinderela Baiana”

9 motivos para torcer pela Itália contra o Brasil – Parte 2

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IV – O atacante Mario Balotelli é um dos maiores destaques da atual seleção italiana. Jogador autêntico e polêmico, recentemente tatuou no peito a seguinte inscrição:

– “Eu sou uma punição de Deus. Se você não tivesse cometido grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu em cima de você”.

Balotelli comemora gol contra a Alemanha na semifinal da Euro do ano passado.

Balotelli comemora um gol contra a Alemanha na semifinal da Euro 2012.

Sacou a pegada punk meio Marion Cobretti? Qualquer semelhança com “Você é a doença, eu sou a cura” não é mera coincidência. O negão recentemente contratado pelo Milan  – equipe pela qual já marcou sete gols em seis jogos – é uma metralhadora de declarações espontâneas e autoconfiantes, como quando disse que era um “gênio” e seu talento era “divino”, fechando a conta e passando a régua declarando ainda que não é nada fácil carregar todo esse talento.
Enquanto isso a maior estrela do Brasil, o garoto propaganda Neymar, é notadamente treinado a não falar o que pensa. Numa primeira grande entrevista ainda no início da carreira, para a Folha de S. Paulo (ou seria o Estadão?), Neymar disse não saber picas sobre a presidência da República (isso em época de eleições), além de declarar que só queria mesmo era saber de comprar Porches e Ferraris. Com a péssima repercussão de suas palavras tolas (porém sinceras), Neymar passou por um pesado processo de “media training”, onde “aprendeu” a falar com a imprensa e a maneirar nas declarações polêmicas. No fundo, no fundo isso resultou em uma castração do sujeito, que sem poder falar o que quer acaba não tendo nada a dizer. Como bem definiu o jornalista Maurício Stycer em uma de suas colunas (http://migre.me/dLibc), Neymar é especialista em respostas evasivas e raramente gera notícia quando fala.

Sem comentários.

Sem comentários.

 

V – Itália: Giusy Ferreri
Brasil: Preta Gil


VI – Itália: Caravaggio, Leonardo da Vinci e Tintoretto

Tintoretto retrata São Jorge e o Dragão

Tintoretto retrata São Jorge e o Dragão

Brasil: Anita Malfatti (A Boba), Romero Britto e Tarsila do Amaral

Tarsila retrata uma mulher vítima de elefantíase

Tarsila retrata mulher vítima de elefantíase

Written by meumalvadofavoretto

20/03/2013 at 11:17

9 motivos para torcer pela Itália contra o Brasil – Parte 1

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Brasil e Itália fazem um jogo amistoso na próxima quinta-feira em Genebra, na Suíça. Como em toda partida do tipo, essa também não vale um cazzo, mas estarão em campo nove Copas do Mundo. Além disso, há o peso de um histórico de grandes confrontos que começou em 1938, quando a chamada Squadra Azzurra enfiou 2 a 1 na seleção brasileira na semifinal da Copa do Mundo daquele ano.

Ao longo das décadas houve diversos confrontos importantes, como a goleada por 4 a 1 do Brasil contra a Itália na final da Copa de 1970, ou a vendetta italiana que veio na Copa de 1982, quando a Azzurra venceu o Brasil por 3 a 2 na semifinal.

Brasil e Itália duelam pela segunda fase da Copa 82. Italianos venceram por 3 a 2.

Brasil e Itália duelam pela segunda fase da Copa 82. Italianos venceram por 3 a 2.

Torço pela Itália desde a Copa do Mundo de 1994, a primeira que acompanhei fielmente  – justamente quando ocorreu o último grande duelo entre Itália e Brasil, quando os italianos perderam mais uma final de Copa para os rivais brasileiros, só que dessa vez numa disputa apertada, na decisão por pênaltis. No intento de justificar tal escolha, postarei aqui no blog uma lista de nove motivos para torcer pela Itália, em detrimento da seleção brasileira. Serão três por dia até a data do jogo. Seguem os três primeiros:

I –  Estudos demográficos sérios comprovam que a mulherada acha os italianos mais bonitos. E isso certamente facilita a vida dos homens fãs de futebol. Afinal, a patroa fica mais animada em acompanhar os jogos com o parceiro, ao invés de só pentelhar e insistir na troca de canal.

II – Ainda no ramo da estética, os nomes dos jogadores italianos são mais bonitos, têm aquela classe. A começar que todos são conhecidos pelos sobrenomes: De Rossi, Gilardino… Fora que alguns lembram comida italiana, tipo Giaccherini (“Sai um macarrão ao molho giaccherini”).
Já no Brasil é aquela pobreza, aquela coisa de ficar dando apelido, tão típica do populacho, e daí os Kakás, Robinhos, etc. Mas também né, os caras fazem por merecer. É tanto Frederico (Fred) e Givanildo (Hulk) que um apelido até vai bem.
Agora, parando com a lekzoeiragem e falando sério: esses apelidos um dia farão falta. Afinal, por ora a boleiragem brasileira arrumou uma mania bem pior, muito pior: a de  utilizar seus nomes e sobrenomes, ou então os nomes compostos. Muitas vezes influenciados pelo empresário metido a bosta – “Marcelinho não pega bem, prefira seu nome de batismo” -, os jogadores passam a enfeitar e aí, meu amigo, a cagada é geral, então surgem os Maikon Leite, Alan Patrick…

III – Itália: Ferrari, Lamborghini e Maserati
Brasil: Gurgel

Written by meumalvadofavoretto

19/03/2013 at 11:58